Auto-Retrato
O que sou eu? Nada. Na verdade eu sou sim alguma coisa, eu sou uma cópia, uma cópia das coisas que vi e senti. O que quero dizer é que só somos o que somos por que aprendemos a ser assim através de nossas experiências de vida. Arrisco-me a expandir mais o meu ponto de vista, me arrisco a dizer que tudo o que fazemos nada mais é do que ações que praticamos a partir do que experimentamos, o próprio ato de eu escrever isto agora não é uma ação minha, mas algo que faço porque foi assim que aprendi que se deve fazer, eu só escrevo agora porque vivo em um mundo onde posso expor minhas idéias, e também porque aprendi que devo me perguntar porque as coisas são do jeito que são. Logo se chega à conclusão de que não escrevo porque quero realmente, mas porque foi assim que eu aprendi.
Pode parecer meio assustador, mas na verdade o que quero dizer é que não há vontade própria, porque até mesmo o ato de querer ter vontade própria é algo que te foi ensinado, só para dar um exemplo mais banal, as pessoas que usam piercings e tatuagens sempre dizem que o fazem para se diferenciar, mostrar que tem atitude, mas o próprio ato de botar um piercing é uma coisa que lhe foi ensinada, por exemplo, pelos hippies, com seu ideal de rebeldia. Mas também quero dizer que os hippies não foram os primeiros a serem rebeldes, isto com certeza também lhes foi ensinado em algum movimento da vida. Somos todos portanto apenas uma imagem da sociedade que conhecemos.
Mas é exatamente essa diferença sobre qual sociedade que conhecemos, qual porção de sociedade que ocasiona as pequenas diferenças que ocorrem de uma pessoa para outra, ora, cada um cresceu e teve experiências de vida diferentes, logo cada um é um pouco diferente quando se compara uma ou outra característica
Outro fato interessante a se notar é que sociedade, portanto não evolui, apenas se copia em cada indivíduo, e se diversifica em um ou outro ponto por acaso. Logo a nossa sociedade é cópia da anterior, que é cópia da anterior, e assim por diante. Logo surge a pergunta de onde isso acaba, e a resposta é lógica, isso tudo acaba no primeiro indivíduo humano que existiu, mas é necessário frisar que esse indivíduo não era dotado de vontade própria de verdade, ele foi apenas um reflexo uma cópia das experiências de vida ocasionadas pelo ambiente em que ele viveu.
Portanto, se eu fosse um pintor, o meu auto-retrato não seria eu mesmo, mas a minha sociedade, ou melhor, acabaria sendo o meio-ambiente em que viveu meu ancestral, mas esse meio ambiente só existiu, segundo a teoria da evolução porque a vida em algum momento surgiu e foi se aperfeiçoando, mas essa vida surgiu da matéria inanimada, que voltando bem lá atrás surgiu do Big Bang, e alguns cientistas afirmam inclusive que a matéria do Big Bang surgiu simplesmente do nada. Assim, eu acabo explicando o que sou: uma cópia do nada.
